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Mastopexia e Redução mamária – Quais são as principais complicações?

A cirurgia de levantamento das mamas – mastopexia – e a redução mamária são duas mamoplastias consideradas um pouco mais invasivas do que apenas a colocação das próteses mamárias. Afinal, essas operações envolvem incisões maiores e a retirada de tecidos, gordura e pele das mamas.

Assim, de forma geral, nessas cirurgias pode haver a incidência de acúmulo de líquido nas cicatrizes (seroma), de infecções (principalmente nas cirurgias combinadas com a colocação de implantes mamários) e sangramentos (equimoses e hematoma), além do maior o risco de cicatrizes inestéticas

Outras complicações que podem envolver as Mastopexias e as Mamoplastias Redutoras são:

 

  • A trombose

 

A trombose venosa profunda é uma complicação que pode aparecer em qualquer cirurgia de qualquer parte do corpo. A maior discussão sobre este assunto nos dias atuais é benéfica, pois conscientiza os cirurgiões e os pacientes acerca da importância de sua prevenção. Lembramos sempre que, como tudo em medicina, o ideal é tentar prevenir em vez de esperar para tratar o problema já instalado.

De início, nos exames pré-operatórios, em casos selecionados, pode-se solicitar alguns exames genéticos específicos a fim de estratificar o risco de trombose. Os hormônios, tanto de reposição como os anovulatórios, devem ser suspensos dias antes e após a cirurgia para reduzir o risco de complicações. Além disso, o uso do cigarro também influi negativamente no período pós-cirurgia, devendo ser combatido com todas as forças.

Cirurgias muito longas apresentam um risco maior de trombose, motivo pelo qual é mais sensato limitar o porte das cirurgias para uma duração segura e não se deixar levar pelo simples desejo de aproveitar a anestesia e realizar uma cirurgia “enorme”. A meia elástica de compressão é muito útil, sendo usada com frequência no pós-operatório destas cirurgias. A prevenção medicamentosa também pode ser feita com medicações injetáveis a serem definidas em conjunto pelo cirurgião e anestesista. Outro método consagrado de prevenção é o uso do compressor pneumático intermitente de membros inferiores. Trata-se de bota inflável que estimula a circulação de sangue nas pernas combatendo a estase venosa e por conseguinte a trombose e embolia.

 

  • A necrose

 

A necrose ou sofrimento de tecidos é um assunto que deve ser tratado no pré-operatório a título de conhecimento. Sua incidência é baixa, mas existe. Quando ocorre, gera certo transtorno pela necessidade de curativos frequentes e atraso na recuperação, motivo pelo qual sua existência deve sempre ser conhecida ao longo do processo cirúrgico. A necrose não é uma exclusividade da cirurgia plástica, ou seja, cirurgias de outra espécie também apresentam este risco. Em áreas de descolamento ocorre a interrupção do fluxo de sangue por alguns vasos sanguíneos. No caso das mamoplastias, estes descolamentos servem para reposicionar as mamas, remover tecidos em excesso e colocar os implantes.

Restam, após os descolamentos, outros vasos que serão os responsáveis pela oxigenação e nutrição dos tecidos. Nos casos em que estes vasos sanguíneos remanescentes não conseguem suprir a demanda da pele por oxigênio instala-se o sofrimento dos tecidos. O principal sinal da complicação é a mudança da coloração, em que um tom escurecido vai surgindo aos poucos na área afetada. Este sofrimento pode evoluir para a necrose, na qual crostas escuras substituem estas áreas de sofrimento e, após seu desprendimento, dão lugar a feridas de tamanhos e profundidades diversas.

Por sorte, as menores feridas e mais rasas são as mais comuns. O inconveniente é que são necessários curativos mais frequentes e ocorre naturalmente um atraso na recuperação geral. A grande vantagem é que a medicina dispõe de uma série de curativos modernos e eficazes que fazem com que todas as feridas cicatrizem completamente dentro de um tempo razoável.

 

  • A contratura capsular

 

Muitas pessoas acreditam que as próteses de mama são duras e artificiais. É um grande equívoco pensar assim. As próteses são macias e o que pode causar o endurecimento é uma anormalidade chamada contratura capsular ou encapsulamento. Ao redor de toda prótese  forma-se um envoltório fino chamado de cápsula, a fim de isolar o implante do organismo. Em alguns casos ela se torna espessa e passa a apertar a prótese em seu interior, caracterizando a contratura ou encapsulamento.  O quadro é benigno, mas, como incomoda e gera prejuízo estético, busca-se tratamento.

 

  • Infecções

Um tema importante a ser tratado antes de qualquer procedimento cirúrgico é a infecção pós-operatória. A  incidência é baixa, girando em torno de 2%, mas de ocorrência mundial, ou seja, em qualquer país ou com qualquer cirurgião ou hospital. Os sinais clássicos de infecção são vermelhidão, dor, calor, febre e secreção, podendo estes sinais estarem ausentes no diagnóstico ou presentes em intensidades variáveis.

O maior temor em relação às infecções é quando utilizamos próteses mamárias. Assim como qualquer outro corpo estranho utilizado em cirurgias de outras regiões do corpo, caso as próteses sejam acometidas pela infecção, se faz necessária sua retirada cirúrgica com redução do volume e mudança de formato da mama operada por poucos meses. Depois deste período (em torno de 4 meses) é feita nova cirurgia para a colocação de um novo implante na mama acometida. Este risco existe para todas as pessoas que já foram operadas e não deixará de existir nunca, motivo pelo qual sua existência e repercussões devem ser tratadas claramente no pré-operatório.

  • O rompimento da prótese

 

Um medo muito comum entre as pessoas que se submetem à mamoplastia é sobre a possibilidade de ruptura do implante e seus riscos decorrentes.

De início, é importante salientar que o silicone usado atualmente no interior das próteses é diferente dos silicones empregados no passado. Por ser mais coeso do que o antigo, no caso de uma eventual ruptura ele não se espalha pelo corpo como algumas pessoas imaginam. Desta maneira, na vigência de uma ruptura, o silicone fica coeso e contido pela cápsula que o próprio organismo cria para isolar a prótese, o que confere muita segurança em relação à saúde.

Podemos dizer tranquilamente que a chance de uma prótese atual se romper espontaneamente ou com traumas usuais é muito pequena, e, mesmo assim, caso ocorra, não há urgência em se fazer a troca do implante. Em outras palavras, a troca do implante é sim recomendada em caso de ruptura, mas não precisa ser feita de forma atropelada ou corrida.

 

Todas as possíveis complicações e intercorrências em uma cirurgia plástica  devem ser devidamente esclarecidas pelo cirurgião durante as consultas pré-operatórias.

 

 

Dr. Guilherme Ribeiro

cirurgião plástico que se dedica à cirurgia plástica há mais de 15 anos, em uma trajetória pautada pela ética, excelência técnica e constante atualização.